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Qual Exame de Fígado Fazer? O Que Ele Mostra?

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Testes de função hepática são usados para verificar a saúde do fígado através da análise de diversas proteínas e enzimas hepáticas.

Um exame de fígado pode ser recomendado em diversas situações, mas geralmente serve para diagnosticar doenças no órgão e para monitorar o efeito de certos medicamentos que podem afetar sua função.

Vamos mostrar o que esses testes mostram e qual deles é mais apropriado em cada caso específico.

Fígado

O fígado é um dos órgãos
mais importantes para o corpo humano. Ele é essencial para processar os
alimentos ingeridos e transformá-los em nutrientes que podem ser aproveitados
para nossas funções metabólicas e armazenados como fonte de energia.

O órgão também é responsável
por funções vitais como:

  • a regulação dos
    níveis de açúcar no sangue;
  • a produção da
    bile para digerir os alimentos no estômago;
  • a eliminação de
    toxinas e compostos prejudiciais à saúde encontrados na corrente sanguínea;
  • o armazenamento
    de vitaminas e minerais;
  • o controle da
    coagulação do sangue;
  • a manutenção dos
    hormônios;
  • o combate a
    infecções;
  • a produção de substâncias
    importantes como o colesterol, as enzimas e as proteínas.

Para ter uma ideia da complexidade do fígado e da sua importância para o funcionamento da máquina humana, basta saber que ele participa de mais de 1500 reações bioquímicas extremamente complexas no organismo e que qualquer dano ao órgão pode prejudicar muito a saúde e até mesmo colocar a vida em risco.

Exame de fígado

Dada
a importância de ter um fígado em pleno funcionamento, a medicina desenvolveu
diversos testes para monitorar a função hepática e identificar qualquer tipo de
problema no órgão.

Em geral, os exames de fígado mostram os níveis de várias proteínas e enzimas presentes no sangue. A análise dos níveis dessas substâncias é o que vai dizer se o órgão está funcionando de acordo com o esperado ou se há algum problema.

Um
exame de fígado geralmente é solicitado para investigar como anda a função do
fígado. Mas o que ele mostra exatamente?

Por que fazer um exame de fígado?

A menos que você faça check-ups completos todos os anos, dificilmente um exame de fígado completo é solicitado sem que o paciente tenha algum problema de saúde ou esteja apresentando sintomas de que algo está errado.

Geralmente, o médico irá solicitar uma avaliação mais minuciosa do fígado quando um ou mais dos seguintes sintomas é notado:

  • Urina escura;
  • Fezes de cor
    clara;
  • Inchaço na
    região abdominal ou retenção de fluidos no abdômen (ascite);
  • Perda de peso;
  • Hematomas ou
    hemorragias anormais;
  • Fraqueza ou
    cansaço extremo;
  • Falta de
    apetite;
  • Dor abdominal;
  • Diarreia;
  • Náusea;
  • Vômito;
  • Olhos ou pele
    amarelados, o que é chamado também de icterícia.

Outros motivos que podem
levar o médico a solicitar um exame no fígado são:

  • Verificar se existem danos no órgão como uma hepatite ou
    outro problema de saúde;
  • Monitorar efeitos adversos de certos medicamentos que podem
    prejudicar o fígado;
  • Analisar a função do órgão, principalmente se o paciente
    tiver problemas de saúde como diabetes, obesidade, triglicerídeos altos,
    pressão arterial elevada ou anemia;
  • Verificar se pessoas que abusaram ou abusam da ingestão de
    álcool têm problemas no órgão;
  • Acompanhar a progressão de alguma doença no fígado e
    analisar se o tratamento está funcionando.

Tipos de exames

Como já mencionado, os exames de função hepática são utilizados para identificar níveis de enzimas e proteínas específicos. Alterações em relação aos níveis normais desses compostos podem indicar um problema no órgão. Os principais testes usados para analisar a função do fígado são:

1. Teste de albumina

A albumina é a principal proteína produzida pelo fígado, que dentre suas funções impede o vazamento dos fluidos por meio dos vasos sanguíneos, combate infecções, nutre os tecidos e transporta hormônios e outras substâncias pelo corpo.

Assim, níveis altos de albumina são normais no sangue, já que ela transita através da corrente sanguínea enquanto cumpre suas funções. No entanto, níveis baixos de albumina podem indicar que o fígado não está produzindo albumina o suficiente devido a algum dano crônico ou agudo.

O intervalo normal de albumina no sangue é de 3,5 a 5,0 gramas por decilitro. Níveis mais baixos podem indicar má nutrição, infecção, inflamação ou doença renal.

2. Teste de proteína total

A proteína total é uma medida da quantidade das proteínas principais do fígado, que são a albumina e a globulina. A albumina, que já foi descrita anteriormente, ajuda a dar uma visão geral de como o fígado está funcionando. Já a globulina permite saber como anda o sistema imunológico. Isso porque ela é liberada em maiores quantidades quando o corpo precisa produzir mais anticorpos.

Assim,
níveis altos de globulina no sangue significam que existe um dano hepático ou
que o corpo está lutando contra alguma doença autoimune.

O intervalo de referência de proteína total normal é entre 6,3 a 7,9 gramas por decilitro de sangue, em que o nível de albumina deve estar entre 3,5 a 5 e o nível de globulina deve estar entre 2 e 4 gramas por decilitro.

3. Teste de alanina transaminase (ALT)

A
alanina transaminase é uma enzima usada para metabolizar as proteínas no
organismo. Quando o fígado está danificado sem funcionar da maneira adequada, a
ALT acaba sendo liberada no sangue em quantidades anormais.

A ALT é produzida nos hepatócitos, que são o principal tipo de células do fígado. Quando os hepatócitos são danificados ou morrem, os níveis de ALT no sangue aumentam. Todos os tipos de hepatite, incluindo as virais e as causadas por uso abusivo de álcool, causam danos nos hepatócitos.

A ALT pode indicar inflamações no fígado, problemas de digestão e ingestão em excesso de álcool ou uso de paracetamol. Níveis entre 50 a 200 UI / L podem indicar hepatite B e níveis muito acima desse intervalo podem sugerir hepatite aguda.

Assim, o teste de ALT pode ser útil na detecção de danos hepáticos e na identificação de doenças como a hepatite. Segundo o American College of Gastroenterology, níveis de ALT acima de 25 UI / L (unidades internacionais por litro) em mulheres e acima de 33 UI / L em homens já pode indicar que o fígado pode estar danificado. No entanto, a maioria dos adultos saudáveis apresenta níveis de ALT entre 7 a 55 UI / L.

4. Teste de aspartato transaminase (AST)

A
aspartato aminotransferase é outra enzima que ajuda a metabolizar o aminoácido
alanina e que é encontrada não só no fígado, mas também em órgãos como os
músculos e o coração. Níveis altos da AST na corrente sanguínea podem indicar
que há um dano em algum desses órgãos.

Isso significa que o teste de AST não é tão preciso e específico e geralmente é usado em conjunto com outros testes para descobrir se o dano é hepático ou não. Geralmente, os exames de AST e ALT são pedidos juntos, já que se o problema for com o fígado, os níveis de ALT também estarão elevados. Se estiverem baixos, provavelmente existe um dano muscular no organismo.

O valor de referência considerado normal para adultos é de cerca de 40 UI / L, sendo que para os homens o valor pode variar de 8 a 46 UI / L e para mulheres pode ser entre 7 a 23 UI / L. Resultados maiores indicam problemas hepáticos ou doenças no fígado relacionadas com o consumo em excesso de álcool.

O uso de alguns medicamentos que prejudicam o fígado como o Tylenol usado em doses altas, por exemplo, também pode causar alterações nos níveis de AST.

5. Teste de fosfatase alcalina (ALP)

A
fosfatase alcalina é uma enzima encontrada no fígado, nos ductos biliares e nos
ossos. Por não ser exclusividade do fígado, geralmente outros exames
complementares devem ser solicitados para um diagnóstico preciso.

Níveis
acima do normal de ALP podem indicar inflamações no fígado, problemas ósseos ou
bloqueio nos ductos biliares.

Nas crianças e nos adolescentes, é normal que os níveis de ALP sejam mais altos porque os ossos ainda estão se desenvolvendo. Nas gestantes, isso também pode acontecer devido ao crescimento do feto. Para os adultos saudáveis em geral, o intervalo de referência considerado saudável é de 45 a 115 UI / L.

6. Teste de gama-glutamil transpeptidase (GGT)

A GGT é uma enzima que, assim como a ALP pode indicar danos no fígado ou no ducto biliar quando em níveis alterados. Esse teste é bastante sensível e capaz de identificar até mesmo danos muito pequenos no órgão hepático, incluindo problemas causados pelo uso de álcool ou drogas. O uso frequente de paracetamol também pode aumentar os níveis de GGT no sangue.

Os níveis de GGT considerados normais para um adulto são entre 9 a 48 UI / L. No entanto, não é um teste solicitado sozinho e que deve ser avaliado em conjunto com outros exames.

7. Teste de bilirrubina

A bilirrubina é um produto biliar que é liberado como um resíduo da degradação dos glóbulos vermelhos que ocorre no fígado e que auxilia na digestão. Geralmente, esse resíduo é eliminado através da urina e das fezes, mas em um fígado danificado, a bilirrubina pode também ser liberada no sangue, aumentando muito os níveis da substância na corrente sanguínea. A superprodução dessa substância acontece em casos de hepatite B ou C.

Desta forma, um valor alto de bilirrubina no sangue pode indicar um mau funcionamento do fígado e inflamações no órgão. Os valores considerados normais são de 0,1 a 1,2 miligramas por decilitro de sangue. É importante atentar que, para algumas doenças hereditárias, os níveis de bilirrubina podem ser alterados mesmo sem problemas no fígado.

Esse exame costuma ser solicitado quando há sintomas como icterícia, já que a bilirrubina é um pigmento amarelado que pode deixar os olhos e a pele amarelada e quando há suspeita de anemia.

8. Teste de protrombina

A
protrombina é uma proteína presente no plasma que é indispensável para o
processo de coagulação sanguínea. O teste de tempo de protrombina é um exame
que avalia o tempo que o sangue demorar para coagular.

Se
o tempo for longo, o resultado pode indicar danos hepáticos ou problemas no
fígado causados pelo uso de medicamentos anticoagulantes como a varfarina, por
exemplo.

O tempo considerado normal para homens adultos é de 9,5 a 13,8 segundos.

9. Teste de lactato desidrogenase (LD)

A L-lactato desidrogenase é mais uma das enzimas encontradas no fígado. Níveis altos podem sugerir danos no fígado, mas sua análise deve ser cautelosa, já que também pode indicar outras doenças.

O intervalo de referência
para adultos é de 122 a 222 UI / L.

Testes complementares

Quando alterações
significativas nos exames acima são identificadas, podem ser solicitados exames
complementares como exames de imagem que podem incluir:

  • Ultrassonografia;
  • Tomografia
    computadorizada;
  • Ressonância
    magnética;
  • Elastografia.

Todos esses exames permitem
que o médico visualize o fígado e identifique lesões e outros problemas no
órgão. Em caso de suspeita de algo mais grave, uma biópsia pode ser
requisitada.

Qual exame de fígado fazer?

A escolha do tipo de exame vai depender de fatores como o motivo de o exame ser feito. Se é apenas um exame de rotina, normalmente verificar os níveis de proteína total, ALT e AST é suficiente para verificar se o fígado está funcionando normalmente.

Caso ocorram alterações, um exame mais completo pode e deve ser realizado. Além disso, se sintomas de doenças hepáticas forem observados, um exame o mais completo possível, que analise várias proteínas e enzimas no fígado, é necessário e em caso de alterações graves, pode ser preciso realizar exames de imagem para complementar o diagnóstico.

Também é preciso ter em mente que algumas dessas enzimas e proteínas podem ser encontradas em outros órgãos além do fígado, indicando que nem sempre níveis alterados indicam doenças no órgão. Assim, é necessário que o diagnóstico seja o mais minucioso possível, o que requer que vários ou todos os testes disponíveis sejam realizados, mesmo que para isso sejam necessárias diversas amostras de sangue.

Cuidados antes do exame de fígado

Antes de coletar a amostra de sangue, pode ser necessário manter um jejum de algumas horas. Além disso, pode ser que alguns medicamentos ou suplementos afetem a quantidade de enzimas e proteínas no sangue. Se for possível, o médico irá solicitar que você não use certos remédios por até 12 horas antes de realizar o exame.

Riscos

Raramente ocorrem
complicações durante a coleta da amostra. Porém, algumas pessoas são mais
sensíveis e podem passar mal ou desmaiar.

Pode ocorrer também fraqueza, tontura, o surgimento de um hematoma ou um sangramento excessivo. Uma infecção é um problema muito raro de ser observado, já que diversas medidas de higiene e segurança são adotadas na hora da coleta.

Interpretação dos resultados

Nenhum dos exames
mencionados acima é útil sozinho. É necessário que o médico faça uma avaliação
completa de eventuais sintomas, dos resultados obtidos, do histórico médico e
do uso de medicamentos nos últimos meses.

Se os exames forem
solicitados para avaliar o andamento de um tratamento, é importante que o
médico avalie se o medicamento está surtindo o efeito desejado sem prejudicar
ainda mais o órgão, fazendo a troca da medicação sempre que necessário.

Pequenas alterações nos
resultados geralmente não são motivo de preocupação, mas apenas um profissional
da saúde pode dizer se você precisa ou não de um tratamento ou se apenas
alterações no estilo de vida como mudanças na dieta são necessários para
normalizar a função hepática.

Os principais sinais de que
algo está errado com o fígado são:

  • Níveis de ALT acima de 50 UI / L: isso significa que você pode ter hepatite leve e que é importante parar de consumir bebidas alcoólicas e limitar o consumo de gordura na dieta;
  • Níveis de ALT, AST e GGT entre 50 e 200 UI / L: indicam que o fígado contém toxinas ou que o uso prolongado de medicamentos como o paracetamol, os anticonvulsionantes, os antidepressivos ou anticoagulantes está fazendo mal para o órgão. Além disso, essas alterações podem indicar doença do fígado gorduroso.
  • Níveis de ALT e GTT entre 50 e 200 UI / L associados a níveis de ALP acima de 200 UI / L: tais resultados sugerem que o fígado está gravemente prejudicado e doenças como fibrose, cirrose e até tumores podem ser a causa do problema.

O que fazer para melhorar a saúde do fígado?

É sempre importante lembrar que qualquer diagnóstico deve avaliar diversos fatores, incluindo sintomas atuais, histórico médico e avaliação de diversos exames de sangue, físico ou de imagem.

Só tome medicamentos após o médico confirmar o diagnóstico. Depois que o tratamento ou que as alterações na dieta forem iniciadas, testes periódicos devem ser solicitados para monitorar a função do fígado e fazer os ajustes que forem necessários.

O tratamento varia muito do
dano causado no fígado e apenas o médico será capaz de indicar a melhor
abordagem para tratar o problema. Mas, em geral, dá para incluir alterações
simples na dieta para ajudar o fígado a se recuperar o mais rápido possível.
Além de praticar atividades físicas, é importante ter uma dieta leve e
saudável, limitando o consumo de alimentos de difícil digestão como as carnes
vermelhas, por exemplo, e apostando em um consumo de alimentos mais leves como
peixe, frango leguminosas, frutas e legumes.

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